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Seminário discute relação de “Fake news” com Lei de Dados no Brasil

Seminário discute relação de “Fake news” com Lei de Dados no Brasil

Em evento realizado na Procuradoria Regional Eleitoral de SP, ONGs, acadêmicos e procuradores fazem balanço do impacto da tecnologia nas eleições

Mais de 20 especialistas se revezaram ao microfone para apresentar estudos, trocar experiências, fazer análises, e responder a perguntas sobre o diversos temas que cercam o tema Eleições, Internet e Direitos, na última quinta-feira (09), na sede da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo.

seminário realizado pela Coalizão Direitos na Rede, da qual o Idec faz parte, e pela procuradoria de São Paulo teve a presença de mais de 100 pessoas que ouviram e debateram o impacto das tecnologias nas próximas eleições marcadas por polarização e novas regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Na mesa de abertura, o procurador Pedro Barbosa Neto destacou que “há pouco tempo, não tínhamos compreensão da importância dos dados pessoais para essa indústria de fake news”.

O desembargador Waldir Nuevo Campos, por sua vez, sustentou que a solução para o problema das notícias falsas não passa pela criminalização. “É um erro tentar definir um conceito jurídico de fake news e criminalizar a conduta de quem simplesmente compartilha essas informações”, sustentou o magistrado.

Bia Barbosa, do Coletivo Brasil de Comunicação Social Intervozes, destacou que medidas criminalizantes ao compartilhamento de notícias falsas podem incorrer em censura política, e que já existem crimes definidos por lei, como injúria, calúnia ou difamação, capazes de coibir a prática. “Seria absurdo uma pena de oito anos de prisão para quem compartilha uma notícia falsa. Quem nunca compartilhou uma notícia falsa achando que era verdadeira na vida? Iríamos todos para a cadeia”, afirmou a jornalista.

Proteção de dados nas eleições

A ausência de uma Lei de Proteção de Dados também torna o impulsionamento de campanha mais opaco. Em apresentação do centro de pesquisas InternetLab, Francisco Brito Cruz mostrou que candidatos compraram impulsionamento de conteúdo político a partir de bases da Serasa Experian (Sistema Mosaico). Apesar do Facebook anunciar que essas bases não serão utilizadas a partir de 15 de agosto, surgem questões sobre quais informações pessoais são utilizadas para essas categorizações.

Bruna Santos, pesquisadora da Coding Rights, também apontou a relação entre data brokers e agências de marketing político por trás do impulsionamento de conteúdo, destacando a necessidade de medidas de transparência que reforcem o respeito à escolha livre e à privacidade dos eleitores.

O Projeto de Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (PLC 53/2018) foi aprovado pelo Congresso em julho. Agora, resta a sanção presidencial do projeto, que deverá ocorrer até 14 de agosto.

De acordo com Rafael Zanatta, advogado e pesquisador em direitos digitais do Idec, “a Coalizão Direitos na Rede tem trabalhado intensamente pela aprovação da Lei de Proteção de Dados Pessoais sem vetos”.

Nesta quinta-feira, representantes da Coalizão, acadêmicos e membros do setor privado reuniram-se com o Ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o Presidente Michel Temer, para solicitar a sanção integral da Lei.

Via Idec