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Nota de repúdio ao Programa Cidade em Ação da TV Arapuan

Nota de repúdio ao Programa Cidade em Ação da TV Arapuan

Há muito tempo que os programas policialescos tem tomado conta da programação da TV em todo o Brasil e no estado da Paraíba não é diferente. São também recorrentes as denúncias de que o conteúdo produzido nesses programas viola os direitos humanos e desrespeita a legislação brasileira. No último dia 05 de junho mais um caso veio a público: o apresentador do programa Cidade em Ação, Sikera Junior, da TV Arapuan, afilida à Rede TV, fez comentários preconceituosos de cunho racista e machista com a jovem negra Raiane Lins, que estava detida em uma delegacia de João Pessoa, chamando-a de “sebosa”, “vagabunda”, porque, segundo apontou o apresentador, a jovem não estava com as unhas pintadas.

Logo após a exibição, a jornalista e rapper feminista de João Pessoa, Kalyne Lima, postou em sua rede social um texto de repúdio à atitude machista, misógina e racista do referido apresentador e da empresa onde ele trabalha, e por exigir RESPEITO e ética com a produção televisiva, foi por ele também atacada de maneira violenta e preconceituosa.

Em 2015, um monitoramento da Rede Andi em parceria com o Intervozes assistiu a 28 de programas policialescos durante 1 mês e revelou a ocorrência de 4,5 mil violações de direitos e 15.761 infrações a leis brasileiras e a acordos multilaterais ratificados pelo Brasil. As violações mais comuns identificadas foram: desrespeito à presunção de inocência; incitação ao crime, à violência e à desobediência às leis ou às decisões judiciais; exposição indevida de pessoas e famílias; discurso de ódio e preconceito; identificação de adolescente em conflito com a lei e violação do direito ao silêncio, tortura psicológica e tratamento degradante.

As diversas entidades que lutam pelo fim da violação aos direitos humanos na mídia e pela democratização da comunicação, entre elas o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac), atuam e denunciam esta prática há anos e buscam coibir este tipo de programa, que presta um desserviço à sociedade, e só despeja na tela da TV ódio, preconceitos e violência. Os canais de TV e rádio são concessões públicas e possuem responsabilidade social em relação aos conteúdos que produzem e divulgam.

Nós do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social nos solidarizamos com Kalyne Lima, Raiane Lins e todas as mulheres da Paraíba, e repudiamos veementemente este tipo de comportamento inaceitável por parte deste apresentador e da emissora e exigimos que todas as medidas de responsabilização cabíveis sejam tomadas por parte do Ministério Público Federal e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) a quem caberia fiscalizar as concessões públicas de radiodifusão.

 

João Pessoa, 8 de Junho de 2018.