PRINCÍPIOS DE UMA OUTRA COMUNICAÇÃO

Somos um coletivo. Lutamos para transformar a comunicação em um bem público; para efetivá-la como um direito humano, sem o qual não há realização plena da cidadania e da democracia. Comunicação é direito. Um processo social fundamental, uma necessidade humana básica. É fundamento de toda organização social.

Em nossos trabalhos, buscamos o fortalecimento da esfera pública e ampliação radical da participação da sociedade civil nos debates e decisões coletivas. Democracia participativa. Democracia radical. Comunicação não é privilégio de especialistas. Os seres se comunicam e têm o direito de se comunicar, de se posicionar, de interagir.

Somos brasileiros e brasileiras. Um coletivo que é denominador das lutas sociais que se travaram nas últimas décadas. Lutas do povo brasileiro. E de outros povos do mundo. Lutas que dependeram da articulação profunda de diversos grupos, entidades e pessoas. A comunicação é a liga desse processo: a teia que interconecta a coletividade.
Sociedade e comunicação democráticas não existem uma sem a outra. Se a comunicação é fundamental à realização plena da cidadania e da democracia, a democratização da comunicação representa condição fundamental para o efetivo exercício da soberania popular.

Somos indivíduos. Compartilhamos princípios, políticos e éticos, que orientam nossa forma de pensar e agir, nestes verbos que conjugamos:

1. O desejo de construir precede o impulso de disputar;
2. O ato de ouvir precede a vontade de falar;
3. O desafio de compreender precede a oportunidade de criticar;
4. A liberdade de criar precede a possibilidade de reproduzir;
5. O sonho de unir precede a iniciativa de ordenar;
6. A experiência de viver precede a tendência de simular;
7. A capacidade de respeitar precede a necessidade de subverter.

Inspiram-nos, heróis e heroínas anônimas e anônimos:
…as professoras e os professores que se dedicam aos alunos/as por fé no futuro, valorizando o ser humano, não o capital;
…as camponesas e os camponeses que regam o campo, semeiam e colhem os frutos de seu trabalho, mostrando que a economia é meio e não fim;
….as lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersex que enfrentam a hipocrisia de mãos dadas, legando lições diárias de respeito à diferença;
…as e os pequenos/as apicultores, agricultores, pescadores, que se organizam em cooperativas, lutando de forma colaborativa e não predatória;
…as e os ativistas pacíficos, que perdem suas vidas guerreando pelo respeito ao meio ambiente e para defender um modelo de desenvolvimento sustentável;
…as e os líderes comunitários, em favelas e bairros, os militantes de base de partidos políticos progressistas, que cotidianamente valorizam o ser humano como ator político;
…as e os militantes de movimentos sociais, homens e mulheres de todas as idades, que na marra, e aos poucos, fazem justiça social no Brasil;
…os rebeldes que tomam as ruas em festas e levantes autônomos, evidenciando os limites entre o público e o privado;
…as e os altermundistas que marcham, seja em São Paulo, Gênova ou Paris, para exigir o direito dos povos de escolherem soberanamente seus caminhos.

Somos o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social